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Tesouro tenta t...
Tesouro tenta tornar sistema mais amigável
28/4/2009 0:59:36
admin
121 mensagens
Tesouro tenta tornar sistema mais amigável
Tesouro tenta tornar sistema mais amigável
Parceria com a Bolsa visa facilitar a negociação de títulos
públicos por meio do "home broker"; início será em setembro
Para 10,1 mi de cotistas de fundos, há pouco mais de 153 mil
cadastrados no Tesouro Direto; Bolsa já faz divulgação em seu site
TONI SCIARRETTA
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Mais rentável aplicação de renda fixa do país, a negociação de títulos da dívida pública federal pelo Tesouro Direto ainda esbarra em um sistema pouco amigável, que não conversa com as plataformas das corretoras e que dificulta a sua popularização. Para piorar ainda mais, o produto concorre com os fundos de investimento e os CDBs dos grandes bancos -que não têm interesse em divulgar e vender os títulos públicos aos correntistas.
Atento ao potencial e ao apelo dos títulos do governo, o Tesouro Nacional decidiu firmar uma parceria com a BM&FBovespa para melhorar os sistemas das corretoras e difundir o produto entre os pequenos investidores, público-alvo do Tesouro Direto desde 2002.
O primeiro passo tem sido o processo de popularização, que já está sendo conduzido pela BM&FBovespa, por meio de eventos e divulgação em seu site. A próxima etapa, a mais importante, terá de esperar ao menos até setembro para entrar em funcionamento. A ideia é que os investidores possam utilizar o sistema de "home broker" das corretoras (destinado às compras de ações por meio da internet) para negociar títulos públicos.
Hoje, para começar a operar, além de preencher uma ficha de inscrição no site do Tesouro Direto, o investidor que não tem conta em uma corretora deve abri-la, processo cuja burocracia costuma envolver uma maratona de assinaturas de contratos -com a corretora, com a Bolsa, com a CBLC e da corretora com o Tesouro- antes de validá-lo e começar a operar. Não são raras as vezes que, até receber as duas senhas -da corretora e do Tesouro-, a saga demore mais de 30 dias.
O secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, reconhece as dificuldades para se investir nos títulos do Tesouro. "Estou com 45 anos, e desde os 20 anos aplico em Bolsa. Vou numa corretora, me cadastro e compro a ação. É a coisa mais simples. E título público, que era para ser mais simples ainda, nunca teve esse fácil acesso", disse.
Apesar do crescimento registrado ano a ano desde que foi lançado, o universo de aplicadores nos títulos do Tesouro ainda é relativamente pequeno. Para os fundos de investimento, existe 10,1 milhões de cotistas. No caso do Tesouro Direto, os aplicadores se restringem a pouco mais de 153 mil.
De acordo com Verdi Monteiro, diretor de fomento de negócios da BM&FBovespa, "a partir de setembro, um conjunto de 25 a 30 corretoras estarão aptas a oferecer os títulos do Tesouro via "home broker'". "A ideia é que as pessoas possam diversificar seus investimentos na mesma plataforma."
Para Mauro Halfeld, consultor financeiro e professor da Universidade Federal do Paraná, "a divulgação é uma iniciativa boa". "O produto é muito bom, mas a maior dificuldade está na distribuição. Os bancos acabam priorizando os produtos deles que são mais rentáveis. E as corretoras focam demais em ações e se esquecem do Tesouro Direto."
Vários usuários não entendem porque a compra é feita no site do Tesouro e o pagamento na corretora. O cliente envia o dinheiro para a corretora para fechar a compra no Tesouro.
Os críticos dizem que falta um esforço comercial do governo, da Bolsa e das corretoras para dar ao Tesouro Direto o lugar que merece entre as opções de investimento no país.
"Como governo, a gente acredita que nosso papel é criar e ter o melhor produto possível. O Tesouro Direto tem uma cara mais comercial, mas no fundo o que a gente está fazendo aqui é administrar a dívida pública. Nesse programa, são os mesmos títulos que a gente administra a dívida pública. Senão, daqui a pouco vou ter de [ter um departamento comercial] criar um super pré, pagar um bônus...", disse Valle.
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Títulos da dívida rendem mais do que fundos
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao comparar as rentabilidades líquidas oferecidas pelos diferente produtos que pagam juros, os investidores podem ter uma ideia mais clara das vantagens oferecidas pelo Tesouro Direto. E quem deve sentir mais isso são os pequenos investidores, que costumam pagar taxas de administração elevadas nos fundos de investimento, além de conseguirem porcentagens menores na hora de comprar um CDB.
Como todas as aplicações, com exceção da poupança, pagam IR, a maior diferença dos títulos do Tesouro Direto e de fundos que rendem juros é a taxa de administração. O problema é que, com a queda dos juros brasileiros, a taxa tem pesado cada vez mais no retorno final.
A carteira dos fundos de investimento carregam títulos públicos, o que faz com que, na média, suas rentabilidades se aproximem. Mas a taxa de administração, que costuma oscilar entre 1% e 4%, consome boa parte dos ganhos dos fundos.
Um exemplo: ao aplicar R$ 10.000 em uma LTN (título público prefixado) por um ano, o investidor teria no final R$ 10.751,20 -isso já descontado 20% de IR, taxa de 0,40% da corretora, 0,30% da CBLC e 0,10% do primeiro negócio. Em um fundo DI com taxa de administração de 2%, o aplicador teria no final R$ 10.672,00. Na poupança, seria R$ 10.617,00.
No caso do CDB, que não cobra taxa de administração, os bancos costumam oferecer juros abaixo da taxa Selic. E quanto menor o montante a ser aplicado, menor a taxa oferecida. Para um CDB que pagasse 85% do CDI -certificados negociados entre os bancos, que têm por referência a Selic-, os R$ 10.000 iniciais se tornariam R$ 10.707,20 após um ano.
"O Tesouro Direto é mais interessante que muito fundo, tem custos menores. E o produto é destinado ao pequeno investidor. Já os fundos costumam pedir taxas mais elevadas para esses investidores", diz a consultora de investimentos Márcia Dessen, da Bankrisk.
"Sou fã do produto, é um produto bom, mas acho que precisa ser melhorado. Precisa de um esforço comercial para se popularizar", diz o consultor Mauro Halfeld. (FV E TS)
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Dúvida ronda aplicações no Tesouro Direto
DA REPORTAGEM LOCAL
Fundador da comunidade Tesouro Direto do Orkut, o consultor de informática Caio Proiete, 26, afirma que uma das maiores dúvidas dos novatos no site diz respeito a passos práticos da abertura de conta e dos custos envolvidos nas operações.
A comunidade, que foi aberta em 2002 e conta com 939 participantes, tem um fórum em que os participantes trocam experiências sobre títulos comprados, dificuldades resolvidas, preços de corretagem e tributação.
"A documentação do site do Tesouro é muito completa, mas tem muita gente que não tem paciência de ler. Ou você lê o PDF para entender ou vai na comunidade e pergunta como fazer. Se precisa mesmo ir para uma corretora ou pode ir diretamente só no Tesouro Direto", disse.
Nessa primeira etapa de tentativa de popularização do Tesouro Direto, a BM&FBovespa passou a oferecer informações sobre o produto em seu site. Outra novidade será a integração do Tesouro Direto na lista de assuntos apresentados pela Bolsa nas feiras e eventos dos quais participa pelo Brasil.
Para Marcia Dessen, da Bankrisk, "a Bolsa tem um sistema de divulgação muito eficiente, que vai ajudar a trazer mais informações e interesse das pessoas". "Quando os investidores puderem comprar e vender ações e títulos públicos na mesma tela do computador, vai facilitar muito", afirma.
Em 2002, a Bolsa criou o programa "Bovespa vai até você" na tentativa de desmitificar o mercado de ações, por meio de palestras em fábricas, academias e até na praia. Atualmente, 32% das operações da Bolsa estão nas mãos do investidor pessoa física. No final da década de 90, a cifra rondava 15%.
Sandro Cotliarenko, que investe em títulos públicos, diz que achou "o site do Tesouro Direto bem pobre". "Tive de criar diversos mecanismos próprios de controle uma vez que passei a operar."
Uma outra dúvida que Proiete diz que costuma aparecer no fórum sobre o Tesouro Direto que conduz é a do que acontece se a corretora falir, se há risco de perder o título. "Explico que o título não fica nem com você nem com a corretora, mas sim com a CBLC, que garante que o título é seu. Se a corretora falir, o título é transferido para outra corretora."
Folha de São Paulo - 27/04/2009
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